11 de Setembro de 2001

Lembro-me deste dia como se estivesse a acontecer agora.

Estava casadinha de fresco, em plena lua-de-mel. Como, na altura, não nadava em dinheiro, fazíamos as refeições em casa (andava a fazer autênticas experiências gastronómicas e o meu ex-marido, coitado, era a cobaia de serviço!).

E, como se fosse hoje, lembro-me de olhar para a TV, no exacto momento em que o segundo avião embateu na segunda torre e pensar: “Bem, este filme está mesmo bem feito. Cada vez mais as coisas parecem mesmo reais!”. E qual não foi o meu espanto quando percebi que aquilo estava a acontecer, em directo, do outro lado do Atlântico…

Parece que ainda estou a olhar para o macarrão. Parado algures num garfo, entre o prato e a minha boca. Fiquei assim, parada, perplexa. À espera que tudo não passasse de uma brincadeira estranha, de uma invenção.

Mas não… e o almoço, que tinha acabado de servir, ficou por ali.

O resto do dia foi estranho. O meu pensamento fugia, seguia aquelas imagens aterradoras e, o que devia ser um dia passado a curtir o marido e a nova vida de menina casada, passou rapidamente, sem eu querer e sem autorização, a ser um dia a curtir a dor e o sofrimento de milhares de pessoas que nunca vi e que, de uma maneira arrepiante, passaram a fazer parte da minha vida. E do meu casamento.

Ainda hoje, passados 10 anos, vivo aquele dia. A minha vida, entretanto, já deu milhões de voltas e cambalhotas mas, aquele dia, 11 de Setembro de 2001, fica para sempre intacto, intocável na minha memória.

11 de Setembro de 2001

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