Adeus. 77 vezes adeus.

O mundo continua completamente ao contrário. Por muito que tente, não o consigo compreender. Nem as pessoas, nem os actos tresloucados, nem os últimos acontecimentos.

Winehouse partiu. Não me surpreendeu e sempre soube que ia fazer parte do Clube dos 27, ou dos 28, ou dos 29.

Estava só à espera de receber a notícia, mais tarde ou mais cedo, mais semana, menos semana, mais dia, menos dia. E, tal como eu, milhares de pessoas também o sabiam… e esperavam.

Winehouse viveu como quis, fez o que quis e acredito que, à sua maneira, conseguiu ser feliz. Deixou-nos a sua maravilhosa voz e dois álbuns que, tantas vezes, foram a minha companhia de eleição. Fiz tantos relatórios ao som de “You Know I’m No Good”, escrevi tantos Comunicados de Imprensa ao som de “Tears Dry On Their Own”, discuti ao som de “Love is a Losing Game”, adormeci ao som de “He Can Only Hold Her”.

Amy Winehouse há-de ficar para sempre na minha memória. E no meu MP3. É a melhor homenagem que lhe posso prestar.

 

Amy Winehouse

 

Agora, o que realmente me chocou, foram os atentados na Noruega.

Começando no atentado à bomba, passando pelo tiroteio, pelo autor, pelos motivos (que, muito sinceramente, acho que o único motivo é a loucura extrema e demente do homem), pelo ar atarantado e surpreso das autoridades norueguesas e pelo próprio país onde tudo se passou, tudo me causa uma estranheza profunda e, acima de tudo, uma grande estupefacção!

Faz-me pensar que a vida é extremamente volátil e efémera. Basta um lunático para destruir famílias inteiras, sonhos, projectos, sociedade, comunidades, países…

Nada voltará a ser como era na Noruega. As pessoas vão viver desconfiadas, com medo, vão perder a inocência. Vão chorar os mortos e, por muito tempo, vão esquecer-se deles próprios, dos vivos.

No entanto, espero que se consigam erguer rapidamente e, que na medida do possível, retomem as suas vidas. Aquelas que, um dia, um maluco qualquer não conseguiu destruir.

Porque é isto que temos que fazer. Chorar os mortos no seu devido tempo, seguir em frente com todas as dificuldades que isso implica, viver um dia de cada vez e esperar. Mais tarde ou mais cedo, vamos encontrar-nos todos num outro lugar.

 

Noruega